20 abril, 2012

Mantega cobra apoio do FMI a medidas de emergentes para conter câmbio

    Mantega fará o discurso em nome dos 24 países que o Brasil representa na diretoria do FMI.
    "Algumas economias estão pagando um preço alto pelas políticas monetárias ultra-expansivas nas economias avançadas", afirma Mantega no texto. "O governo brasileiro permanece comprometido com o que quer que julgue ser necessário para conter excessivos e voláteis fluxos de capital, por intermédio da combinação de intervenção nos mercados de câmbio à vista e futuro, medidas macroprudenciais e controles de capital".
    O ministro salienta ainda que os países não devem ser constrangidos em suas ações:
    "Eu reitero o que disse no meu discurso do IMFC (comitê monetário e financeiro internacional) em abril de 2011: o Brasil se opõe a 'orientações', 'sistemas' e 'códigos de conduta' que tentem restringir, direta ou indiretamente, as ações adotadas por países que enfrentam ondas excessivas e voláteis de fluxos de capital. Os governos devem continuar a ter flexibilidade e autonomia para adotar medidas que considerem apropriadas para conter fluxos excessivos".
    O FMI tem advogado cautela na implementação de medidas, por exemplo, de controle de fluxo de capitais, porque elas poderiam nem sempre ser eficazes. Uma das formas de intervenção na taxa de câmbio que o governo brasileiro vem utilizando é a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente na entrada de capitais externos para aplicações financeiras.
    Na quinta-feira, a diretora-gerente da instituição, Christine Lagarde, afirmou que países emergentes têm dois caminhos para lidar com a valorização de suas moedas: ajustar-se, com uso de ações macroprudenciais, ou aceitar. Mantega classificou a posição de "um equívoco".
    Ao contrário de Largarde, que vê múltiplos fatores para a valorização das moedas emergentes (como taxa elevada de retorno ao investimento, as perspectivas econômicas desses países e o aumento nos últimos anos dos preços das commodities), Mantega voltou a insistir que a apreciação do câmbio brasileiro é um efeito colateral da decisão das economias ricas de desvalorizar as suas moedas para ganhar fôlego, atenuar seus desequilíbrios e reativar suas economias com políticas monetárias expansivas (com liberação de recursos pelos Bancos Centrais). O que ele volta a repetir no discurso:
    "O FMI tem dado forte apoio às políticas monetárias nos países avançados, incluindo as recentes medidas tomadas pelo Banco Central Europeu. Mas (o Fundo) tem sido mais relutante, porém, no apoio às medidas de defesa que algumas economias emergentes estão sendo forçadas a adotar em resposta aos efeitos colaterais destas políticas (dos ricos). Políticas de administração da conta de capital ainda estão à espera de serem integralmente aceitas pelo Fundo como parte normal das ferramentas de política econômica".
    O ministro diz ainda que, em relação à administração de fluxos capitais, tanto a direção quanto o quadro técnico do Fundo insistem num receituário e num assessoramento que muitas vezes ignora a orientação dos órgãos ministeriais do FMI e do G-20 e foca nos países que recebem os capitais, "minimizando o papel de fatores de propulsores (dos fluxos), especialmente aqueles originados das políticas monetárias dos países avançados".
    Afirma ainda que, apesar de reconhecer que há pouco conhecimento acumulado neste tema, a direção e o quadro técnico do Fundo "insistem em oferecer aconselhamento não solicitado":
    "Nós temos dúvidas sobre a qualidade, a consistência e a imparcialidade do trabalho corrente sobre administração de fluxo de capital e demanda que o Fundo repense sua abordagem".

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