Juiz do caso Cachoeira diz sofrer ameaça e pede afastamento
BRASÍLIA, 19 Jun (Reuters) - O juiz Paulo Augusto Moreira Lima, da 11a vara de justiça de Goiás, responsável pela operação Monte Carlo, que investiga Carlinhos Cachoeira, deixou o comando das investigações alegando que sua família corre risco e que há relatos de "crime de homicídio" efetuado por pessoas ligadas a Cachoeira e que estão sob a mesma investigação.
Ele foi removido para a 12a vara da Goiás, que não cuida de temas criminais.
O pedido foi encaminhado ao desembargador Carlos Olavo, que é o corregedor do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), no dia 13 de junho.
No ofício, Lima relata sua atuação na vara criminal e diz que já foi alvo de ameaças de morte por parte de uma facção criminosa que atua em São Paulo em outra investigação, e que no âmbito da operação Monte Carlo denunciou 75 policiais civis, militares e federais.
"Minha família, em sua própria residência, foi procurada por policiais que gostariam de conversar a respeito do processo atinente a operação Monte Carlo, em nítida violência velada, visto que mostraram que sabem quem são meus familiares e onde moram", diz o magistrado no ofício.
"Pelo que se tem informação, até o presente momento, há crimes de homicídio provavelmente praticados a mando por réus do processo pertinente a operação Monte Carlo, o que reforça a periculosidade da quadrilha", continua o texto.
Ele também pediu que a corregedoria do TRF1 permita que ele goze um período de três meses de férias, já vencidos, a partir de setembro, quando pretende viajar para fora do país.
Nesta terça-feira, o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), apresentou requerimento à CPI do Cachoeira, que investiga a relação dele com agentes públicos e privados, requerimento para convocar o magistrado para falar sobre à operação na comissão.
Sabendo da disposição do juiz, o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), foi até Goiânia se reunir pessoalmente com ele e negociar o compartilhamento dos documentos da investigação Monte Carlo que ainda não foram enviados à CPI.
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